Convite:
Amanhã, dia 02/09, haverá a primeira Audiência de Instrução e Julgamento dos policiais militares Vagner Barbosa Santana, Carlos Eduardo Virgínio dos Santos, Jubson Alencar Cruz Souza e Leonardo José de Jesus Gomes, acusados do homicídio de Josenildo Estanislau dos Santos em 02/04/2009.
A família agradeçe ao empenho dos familiares das vítimas e da Rede, estamos juntos na luta por respeito, dignidade e justiça.
A audiência será às 13h na 2a Vara Criminal do Fórum do Rio (Av. Erasmo Braga, 115).
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Luta contra a violência
Bate-Papo:Patrícia é irmã de Wagner do Santos, sobrevivente da Chacina da Candelária que, ameaçado, hoje vive no exterior.
Entidades de direitos humanos realizaram "a semana em defesa da vida", para lembrar a Chacina da Candelária, em que morreram oito crianças. Um sobrevivente deste crime, Wagner dos Santos, foi também a única testemunha no julgamento que condenou três policiais militares. Tentaram silenciá-lo em outro atentado, e hoje Wagner vive no exterior.
A irmã dele, Patrícia, uma ativista de campanhas contra a violência, luta para identificar os responsáveis pelos tiros que quase mataram Wagner, como você vê na entrevista da Coluna Bate-Papo, com o repórter Edney Silvestre.
Se muitas vezes a vida não é fácil para um adulto, pra uma criança então, que não tem defesas, não sabe se defender, não tem quem a defenda. É muito mais difícil. Esse é o tema do Bate-Papo de hoje. A entrevistada é Patrícia dos Santos.
RJTV: Quantos tiros seu irmão levou?
Patrícia dos Santos: Levou quatro tiros, foi no MAM, o Museu de Arte Moderna e em 1994, no segundo atentado, ele levou mais quatro. São oito, no total.
E quantas cirurgias ele fez desde então?
No total, umas oito. Referente à garganta, ao ouvido, à visão e cirurgias para reconstrução do rosto.
Quais problemas ele tem?
De saúde ele tem saturnismo, que é envenenamento por chumbo, que é uma doença que não tem cura por causa da bala que está alojada na quinta vértebra e o outro pedaço que tem no ouvido e o estilhaço que tem no rosto.
Ele vive na Suíça agora? Como ele está?
Vive na Suíça desde 1995. Já o visitei três vezes. Na época do frio ele tem muito problema de depressão, devidos aos problemas que ele já teve e ao saturnismo que também causa depressão. Destrói o pâncreas, fígado, rins, é uma doença degenerativa que não tem cura.
Como ele conseguiu sobreviver?
Eu acho que foi Deus, não chegou a hora dele. Uma pessoa que leva quatro tiros e não morre é porque não estava previsto para morrer naquele momento. E depois ele ainda levou mais quatro. Não era a hora dele.
Como aconteceu de um lugar ao outro?
Ele estava na rua Dom Geraldo, ele ia comprar cigarro e passou um carro com três pessoas dentro. Abordou ele com mais dois meninos que vinham na frente, colocaram eles no carro, ouve uma discussão dentro do carro e o revolver disparou. Ele tinha 22 anos. E dali pra lá, ele foi deixado no MAM depois que fizeram a Chacina da Candelária. Primeiro ele foi baleado, depois aconteceu a chacina. Em 1994, ele estava na Central do Brasil e uma pessoa chegou com uma foto dele e perguntou: ‘você que é o Wagner dos Santos?’. E ele falou: ‘sou’. Deram quatro tiros nele e deixaram ele lá algemado. Aí ele foi pro Hospital Souza Aguiar. Esse atentado ainda é um inquérito da 4ª DP. Ainda não foi resolvido.
A briga agora está nas suas mãos?
Isso.
Quando uma situação dessa acontece com um membro da família, o que acontece com a família?
Normalmente a família acaba porque você passar por uma violência muito grande, tem que ter estrutura e isso desestrutura a família. Você vai sempre lembrar o que aconteceu. No caso da minha família, como o Wagner não chegou a falecer é uma coisa que não desestruturou totalmente, mas eu conheço várias pessoas que ficaram desestruturadas, que perderam seus filhos.
O que pode ser feito para ajudá-lo?
Eu acho que as pessoas teriam que ter mais consciência, que está faltando e enxergar ele como um cidadão. Enxergam ele como um menino de rua que deveria ter morrido. Mas eu espero ainda que, antes de eu morrer, eu veja que valeu a pena ele ter sido testemunha, ele tentar, porque no Brasil não é fácil ser testemunha.
O Wagner pretende voltar a morar no Brasil?
Ele ainda tem muito medo. Eu acho que ele não tem mais essa esperança. Até que porque ele acha que no país dele, ele é desacreditado. Normalmente o brasileiro se une muito na Copa. Se o brasileiro começar a pressionar para outras coisas, eu acho que daqui uns 10 anos, o país vai estar muito melhor.
Você é otimista?
Sou, por isso que eu não desisto. Sou persistente. Eu venço pelo cansaço.
Bate-Papo:Patrícia é irmã de Wagner do Santos, sobrevivente da Chacina da Candelária que, ameaçado, hoje vive no exterior.
Entidades de direitos humanos realizaram "a semana em defesa da vida", para lembrar a Chacina da Candelária, em que morreram oito crianças. Um sobrevivente deste crime, Wagner dos Santos, foi também a única testemunha no julgamento que condenou três policiais militares. Tentaram silenciá-lo em outro atentado, e hoje Wagner vive no exterior.
A irmã dele, Patrícia, uma ativista de campanhas contra a violência, luta para identificar os responsáveis pelos tiros que quase mataram Wagner, como você vê na entrevista da Coluna Bate-Papo, com o repórter Edney Silvestre.
Se muitas vezes a vida não é fácil para um adulto, pra uma criança então, que não tem defesas, não sabe se defender, não tem quem a defenda. É muito mais difícil. Esse é o tema do Bate-Papo de hoje. A entrevistada é Patrícia dos Santos.
RJTV: Quantos tiros seu irmão levou?
Patrícia dos Santos: Levou quatro tiros, foi no MAM, o Museu de Arte Moderna e em 1994, no segundo atentado, ele levou mais quatro. São oito, no total.
E quantas cirurgias ele fez desde então?
No total, umas oito. Referente à garganta, ao ouvido, à visão e cirurgias para reconstrução do rosto.
Quais problemas ele tem?
De saúde ele tem saturnismo, que é envenenamento por chumbo, que é uma doença que não tem cura por causa da bala que está alojada na quinta vértebra e o outro pedaço que tem no ouvido e o estilhaço que tem no rosto.
Ele vive na Suíça agora? Como ele está?
Vive na Suíça desde 1995. Já o visitei três vezes. Na época do frio ele tem muito problema de depressão, devidos aos problemas que ele já teve e ao saturnismo que também causa depressão. Destrói o pâncreas, fígado, rins, é uma doença degenerativa que não tem cura.
Como ele conseguiu sobreviver?
Eu acho que foi Deus, não chegou a hora dele. Uma pessoa que leva quatro tiros e não morre é porque não estava previsto para morrer naquele momento. E depois ele ainda levou mais quatro. Não era a hora dele.
Como aconteceu de um lugar ao outro?
Ele estava na rua Dom Geraldo, ele ia comprar cigarro e passou um carro com três pessoas dentro. Abordou ele com mais dois meninos que vinham na frente, colocaram eles no carro, ouve uma discussão dentro do carro e o revolver disparou. Ele tinha 22 anos. E dali pra lá, ele foi deixado no MAM depois que fizeram a Chacina da Candelária. Primeiro ele foi baleado, depois aconteceu a chacina. Em 1994, ele estava na Central do Brasil e uma pessoa chegou com uma foto dele e perguntou: ‘você que é o Wagner dos Santos?’. E ele falou: ‘sou’. Deram quatro tiros nele e deixaram ele lá algemado. Aí ele foi pro Hospital Souza Aguiar. Esse atentado ainda é um inquérito da 4ª DP. Ainda não foi resolvido.
A briga agora está nas suas mãos?
Isso.
Quando uma situação dessa acontece com um membro da família, o que acontece com a família?
Normalmente a família acaba porque você passar por uma violência muito grande, tem que ter estrutura e isso desestrutura a família. Você vai sempre lembrar o que aconteceu. No caso da minha família, como o Wagner não chegou a falecer é uma coisa que não desestruturou totalmente, mas eu conheço várias pessoas que ficaram desestruturadas, que perderam seus filhos.
O que pode ser feito para ajudá-lo?
Eu acho que as pessoas teriam que ter mais consciência, que está faltando e enxergar ele como um cidadão. Enxergam ele como um menino de rua que deveria ter morrido. Mas eu espero ainda que, antes de eu morrer, eu veja que valeu a pena ele ter sido testemunha, ele tentar, porque no Brasil não é fácil ser testemunha.
O Wagner pretende voltar a morar no Brasil?
Ele ainda tem muito medo. Eu acho que ele não tem mais essa esperança. Até que porque ele acha que no país dele, ele é desacreditado. Normalmente o brasileiro se une muito na Copa. Se o brasileiro começar a pressionar para outras coisas, eu acho que daqui uns 10 anos, o país vai estar muito melhor.
Você é otimista?
Sou, por isso que eu não desisto. Sou persistente. Eu venço pelo cansaço.
No dia 20 de Agosto, sexta-feira, estréia nos cinemas do Rio de Janeiro o documentário
Luto como Mãe.
“ Ignora-se que, para cada marido, cada filho, cada homem morto, existe sempre uma mulher por trás”,
Luis Carlos Nascimento, diretor do documentário.
O longa retrata chacinas cometidas por policiais repercutidas em todo o país e nomeadas como as “Mães de Acari”, “Chacina da Candelária”, “Chacina da Baixada” e outras tão importante quanto essas. Durante quatro anos, Luis Carlos Nascimento acompanhou de perto junto com uma equipe de cinema o drama dessas mães, desde a coleta de depoimentos até os desdobramentos dos casos perante a justiça.
- Assista aqui o Trailer Oficial de Luto como Mãe -
“Luto como Mãe” participou da 14ª edição do Festival Internacional do Rio (2009) - onde concorreu a três prêmios: melhor direção, melhor documentário e melhor filme do júri popular; no Festival Viña del Mar (Chile/2009); no 12ª Festival de Cinema Brasileiro de Paris (França/2010); no 1ª Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa – FESTin (Portugal/2010); na 3ª Mostra Internacional de Cinema em Língua Portuguesa, entre outros.
O documentário "Luto como Mãe" tem a direção do cineasta Luis Carlos Nascimento, produção da TV Zero, Jabuti Filmes e Cinema Nosso. O longa foi realizado em parceria com CES- Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (Portugal) e CESEC- Centro de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes e conta também com o apoio da Fundação Ford , IPAD- Instituto Português para o Desenvolvimento, Sebrae/Rj e Fase.
- Aonde assistir ?
Estação Botafogo - Rua Voluntários da Pátria, 88, Botafogo, Rio de Janeiro - Tel: (21) 2266 9952
Horário da sessão: 13h30, 15h e 18h30
Ponto Cine - Estrada de Camboatá, 2300, Guadalupe, Rio de Janeiro - Tel: (21) 3106-9995
Horário da sessão: 14h e 18h
Espaço Cinema Nosso - (a partir do dia 27 de agosto) Rua do Resende, 80, Lapa, Rio de Janeiro - Tel: (21) 2505-3300
Horário da sessão: 14h e 18h
Agende sessões especiais com debates através do número: (21) 2505-3311
Conheça-nos, participe, divulgue.
Site Oficial:http://www.lutocomomae.com/ - Blog Oficial:http://lutocomomae.blogspot.com/
Twitter Oficial: @lutocomomae
--
Andressa Xavier
@andressa_xavier - (21) 7679-4012
www.cineclubecinemanosso.blogspot.com
www.cinemanosso.org.br
YouTube - Vídeos desse e-mail
Luto como Mãe.
“ Ignora-se que, para cada marido, cada filho, cada homem morto, existe sempre uma mulher por trás”,
Luis Carlos Nascimento, diretor do documentário.
O longa retrata chacinas cometidas por policiais repercutidas em todo o país e nomeadas como as “Mães de Acari”, “Chacina da Candelária”, “Chacina da Baixada” e outras tão importante quanto essas. Durante quatro anos, Luis Carlos Nascimento acompanhou de perto junto com uma equipe de cinema o drama dessas mães, desde a coleta de depoimentos até os desdobramentos dos casos perante a justiça.
- Assista aqui o Trailer Oficial de Luto como Mãe -
“Luto como Mãe” participou da 14ª edição do Festival Internacional do Rio (2009) - onde concorreu a três prêmios: melhor direção, melhor documentário e melhor filme do júri popular; no Festival Viña del Mar (Chile/2009); no 12ª Festival de Cinema Brasileiro de Paris (França/2010); no 1ª Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa – FESTin (Portugal/2010); na 3ª Mostra Internacional de Cinema em Língua Portuguesa, entre outros.
O documentário "Luto como Mãe" tem a direção do cineasta Luis Carlos Nascimento, produção da TV Zero, Jabuti Filmes e Cinema Nosso. O longa foi realizado em parceria com CES- Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (Portugal) e CESEC- Centro de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes e conta também com o apoio da Fundação Ford , IPAD- Instituto Português para o Desenvolvimento, Sebrae/Rj e Fase.
- Aonde assistir ?
Estação Botafogo - Rua Voluntários da Pátria, 88, Botafogo, Rio de Janeiro - Tel: (21) 2266 9952
Horário da sessão: 13h30, 15h e 18h30
Ponto Cine - Estrada de Camboatá, 2300, Guadalupe, Rio de Janeiro - Tel: (21) 3106-9995
Horário da sessão: 14h e 18h
Espaço Cinema Nosso - (a partir do dia 27 de agosto) Rua do Resende, 80, Lapa, Rio de Janeiro - Tel: (21) 2505-3300
Horário da sessão: 14h e 18h
Agende sessões especiais com debates através do número: (21) 2505-3311
Conheça-nos, participe, divulgue.
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--
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quarta-feira, 11 de agosto de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
LEMBRANÇA DO CASO ACARI 20 ANOS
Atividades em lembrança dos 20 Anos do Caso Acari e da Luta das Mães: Não ao Esquecimento! Sim à Justiça!
Entre os dias 22 e 26 de julho acontecerão atividades que lembrarão os 20 Anos do Caso Acari, que foi simbólico, tanto quanto ao aprofundamento da violência estatal contra as favelas e comunidades pobres, quanto à articulação da resistência popular a esse verdadeiro processo de genocídio da população negra, pobre e favelada no Brasil. Na ocasião, a resistência se expressou na luta, internacionalmente reconhecida, das Mães de Acari.
Mães de Acari
No dia 22 de Julho, na véspera do aniversário da Chacina da Candelária, haverá uma vigília das 18 às 22h, diante da Igreja da Candelária, para lembrar os 17 anos do assassinato das crianças e jovens naquele massacre, o desaparecimento, até hoje sem solução, dos onze jovens de Acari, bem como todos os casos de desaparecimentos forçados, chacinas e outras graves violações cometidas no Rio de Janeiro nos últimos 20 anos. Estarão presentes familiares de vítimas da violência, inclusive de outros estados brasileiros, organizações e militantes que defendem os direitos humanos, movimentos sociais e lutadores populares.
No dia 23 de Julho, 17o aniversário da Chacina da Candelária, haverá mais uma edição da Caminhada em Defesa da Vida, que este ano também assumiu os 20 Anos do Caso Acari como tema. A programação completa é a seguinte:
9h: Concentração em frente a Igreja da Candelária
10h: Missa pelas crianças e jovens que morreram em frente a Igreja da Candelária e por todos os jovens que foram mortos no Rio.
11h: Ato Ecumênico
11h30: Caminhada em Defesa da Vida – 20 ANOS DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990) – Trajeto: Av.Rio Branco até a Cinelândia.
12h30: Ato Político
13h: Apresentação Cultural
No dia 25 de Julho, será realizada no Grêmio Recreativo Escola de Samba Favo de Acari ( Rua Piracambu, 605 – Acari) uma Homenagem às Mães de Acari, com a seguinte programação:
15 às 18h – Declamação de poesias, atividades de música e dança, grafite
18h – Exibição do documentário Luto como Mãe, que entre outros casos aborda a luta por justiça das Mães de Acari
19:30h – Depoimentos das Mães, de familiares de vítimas de vários casos e estados do Brasil, e de pessoas que se destacaram na solidariedade.
No dia 26 de Julho haverá a Caminhada em Lembrança dos 20 Anos do Caso Acari, com a seguinte programação:
9h: Culto ecumênico em frente ao Hospital de Acari (Av Pastor Martin Luter King, 10976).
10h às 12h: Caminhada pela Avenida Brasil e pela Rua Bulhões Marcial (Lucas-Vigário) até a Praça Catolé do Rocha em Vigário. Depoimentos e apresentações durante o trajeto.
12h: Encerramento na Praça Catolé do Rocha com apresentações teatrais e culturais.
Ajude a divulgar, organize sua comunidade, grupo ou movimento para estar presente com faixas e cartazes, esse é um momento muito importante para lembrarmos que a luta iniciada pelas Mães de Acari é mais necessária do que nunca, e para dizermos bem alto: Não ao Esquecimento, Sim à Justiça!
Mais informações sobre o Caso Acari: DO LUTO À LUTA: A EXPERIÊNCIA DAS MÃES DE ACARI
Images:
Entre os dias 22 e 26 de julho acontecerão atividades que lembrarão os 20 Anos do Caso Acari, que foi simbólico, tanto quanto ao aprofundamento da violência estatal contra as favelas e comunidades pobres, quanto à articulação da resistência popular a esse verdadeiro processo de genocídio da população negra, pobre e favelada no Brasil. Na ocasião, a resistência se expressou na luta, internacionalmente reconhecida, das Mães de Acari.
Mães de Acari
No dia 22 de Julho, na véspera do aniversário da Chacina da Candelária, haverá uma vigília das 18 às 22h, diante da Igreja da Candelária, para lembrar os 17 anos do assassinato das crianças e jovens naquele massacre, o desaparecimento, até hoje sem solução, dos onze jovens de Acari, bem como todos os casos de desaparecimentos forçados, chacinas e outras graves violações cometidas no Rio de Janeiro nos últimos 20 anos. Estarão presentes familiares de vítimas da violência, inclusive de outros estados brasileiros, organizações e militantes que defendem os direitos humanos, movimentos sociais e lutadores populares.
No dia 23 de Julho, 17o aniversário da Chacina da Candelária, haverá mais uma edição da Caminhada em Defesa da Vida, que este ano também assumiu os 20 Anos do Caso Acari como tema. A programação completa é a seguinte:
9h: Concentração em frente a Igreja da Candelária
10h: Missa pelas crianças e jovens que morreram em frente a Igreja da Candelária e por todos os jovens que foram mortos no Rio.
11h: Ato Ecumênico
11h30: Caminhada em Defesa da Vida – 20 ANOS DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990) – Trajeto: Av.Rio Branco até a Cinelândia.
12h30: Ato Político
13h: Apresentação Cultural
No dia 25 de Julho, será realizada no Grêmio Recreativo Escola de Samba Favo de Acari ( Rua Piracambu, 605 – Acari) uma Homenagem às Mães de Acari, com a seguinte programação:
15 às 18h – Declamação de poesias, atividades de música e dança, grafite
18h – Exibição do documentário Luto como Mãe, que entre outros casos aborda a luta por justiça das Mães de Acari
19:30h – Depoimentos das Mães, de familiares de vítimas de vários casos e estados do Brasil, e de pessoas que se destacaram na solidariedade.
No dia 26 de Julho haverá a Caminhada em Lembrança dos 20 Anos do Caso Acari, com a seguinte programação:
9h: Culto ecumênico em frente ao Hospital de Acari (Av Pastor Martin Luter King, 10976).
10h às 12h: Caminhada pela Avenida Brasil e pela Rua Bulhões Marcial (Lucas-Vigário) até a Praça Catolé do Rocha em Vigário. Depoimentos e apresentações durante o trajeto.
12h: Encerramento na Praça Catolé do Rocha com apresentações teatrais e culturais.
Ajude a divulgar, organize sua comunidade, grupo ou movimento para estar presente com faixas e cartazes, esse é um momento muito importante para lembrarmos que a luta iniciada pelas Mães de Acari é mais necessária do que nunca, e para dizermos bem alto: Não ao Esquecimento, Sim à Justiça!
Mais informações sobre o Caso Acari: DO LUTO À LUTA: A EXPERIÊNCIA DAS MÃES DE ACARI
Images:
segunda-feira, 10 de maio de 2010
ATENTADO CONTRA MILITANTE DA REDE, MORADOR DO MORRO DA COROA
ATENTADO CONTRA MILITANTE DA REDE, MORADOR DO MORRO DA COROA
Na última sexta-feira, dia 7 de maio, às 09:35hs, o militante da Rede contra Violência, Josilmar Macário dos Santos, sofreu um atentado quando estava dirigindo seu táxi no viaduto São Sebastião (na pista sentido Laranjeiras) , próximo ao Sambódromo, no bairro do Catumbi. De repente, ouviu um barulho e percebeu que o para-brisa de seu carro havia sido atingido por algum objeto, provocando um trincamento na direção de seu rosto. Em seguida, preocupado, parou o automóvel no retorno em cima do túnel Santa Bárbara e lá pode constatar que, pelo estrago observado, parecia ter sido feito por uma bala desferida por alguma arma de fogo.
Importante lembrar que Josilmar é irmão de Josenildo dos Santos, assassinado por policiais militares do 1° Batalhão, em abril de 2009. Desde então, seus familiares, amigos e a Rede contra Violência iniciaram uma luta por justiça. Esta levaria à denúncia de 4 PMs (Vagner Barbosa Santana, Carlos Eduardo Virgínio dos Santos, Jubson Alencar Cruz Souza e Leonardo José de Jesus Gomes) por homicídio. Essa vitória da família de Josenildo e da comunidade parece ter irritado os policiais do 1° BPM e levado-os a tentarem uma represália. No dia 08/02/2010, dois parentes de Josenildo, um primo e uma irmã, Maristela Aparecida dos Santos, e um vizinho amigo da família foram diretamente ameaçados pelos policiais, durante uma incursão que também levou à morte de dois jovens. O atentado ocorreu no dia em que, se fosse vivo, Josenildo faria aniversário.
Um mês depois, no dia 9 de março, após ter sido adiada no final do ano passado porque testemunhas de defesa (dos policiais) não compareceram, realizou-se a primeira audiência do caso, na qual foram ouvidos as testemunhas de acusação. Diante da quantidade de pessoas a serem ouvidas, o juiz determinou que fossem tomado os depoimentos das testemunhas dos réus (os policiais) em outro momento, que ficou marcado para o dia 15 de junho, às 13:30, no II Tribunal do Juri. No dia 2 de maio, domingo, os familiares de Josenildo e amigos realizaram uma manifestação em sua lembrança. Contudo, na sexta-feira e no sábado, policiais militares realizaram incursões, incluvise se utilizando o “caveirão”. Nestas duas operações, PMs arrancaram alguns cartazes afixados na comunidade, principalmente os que constavam a data da próxima audiência. Moradores ouviram comentários feitos pelos policiais, em que estes diziam que deveriam ter levado um facão para retirar os cartazes e também para “cortar a cabeça de quem os estava colocando”.
Após isso tudo, as ameaças se materializaram: um atentado foi cometido contra um dos irmãos de Josenildo. Depois de estacionar o carro, Macário entrou em contato diretamente com o Ministério Público, com a Comissão de Direitos Humanos da Alerj e com a Rede contra Violência. Posteriormente, acompanhado de militantes da Rede e de um integrante da Comissão de Direitos Humanos, foi até a 7a Delegacia Policial, no bairro de Santa Teresa para prestar queixa. Foram rapidamente atendidos, mas o investigador que os receberam se recusava a fazer o registro de ocorrência. A resistência se deu ao fato de que o investigador não queria aceitar a versão de que fora um atentado, mesmo depois de ter sido relatado a situação de ameaças vivenciada pela família de Macário desde o assassinato de seu irmão. Após insistência do advogado da Comissão que o acompanhava, finalmente o investigador cedeu e registrou o caso como estando relacionado às ameaças feitas por policiais do 1° Batalhão. Em seguida, foi encaminhado ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), no Centro, para a realização de perícia. Contrariamente a afirmação inicial do policial que os receberam, ou seja, de que teria sido apenas uma pedra, o períto foi enfático ao afirmar que se tratava de um dísparo de arma de fogo e que parecia ser intencional.
Neste mesmo dia, realizar-se- ia uma reunião com o Ministro da Secretaria Nacional de Direitos Humanos e o novo secretário de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro com organizações e movimentos sociais para discutir o Plano Nacional de Defesa dos Defensores de Direitos Humanos. Realizado o registro de ocorrência e a perícia, decidiu-se levar a situação de Josilmar Macário a este encontro, aproveitando a presença do ministro e do secretário. O ministro sugeriu que fosse dado encaminhamento no sentido de incluir Josilmar no Programa de Defesa dos Defensores e não em outro. Entretanto, a secretária da subsecretaria de Direitos Humanos pretendia colocá-lo imediatamente no Programa de Proteção a Vítima (PROVITA), contrariando o que foi definido na reunião com o Ministro e desconsiderando a colocação de um dos militantes da Rede presentes que, conhecendo o PROVITA desde a sua criação e implementação, afirmou que este possui muitos problemas, principalmente o de escassez de verbas. O que foi informado, inicialmente, ao Josilmar seria que ele ficaria apenas protegido, provisoriamente, neste final de semana, definindo-se somentes posteriormente seu destino.
Após a insistência da subsecretaria em descumprir a orientação do ministro, Josilmar Macário foi encaminhado para o Plantão Judiciário do Tribunal de Justiça. Acompanhado de duas advogadas da secretaria (já que fora impedida a presença de militantes da Rede) foi até à promotora de plantão. Esta não quis recebê-lo e quem conversou com ela foi apenas as advogadas. Após alguns instantes, chegariam os membros do PROVITA convocados pela secretaria. Estes explicariam o funcionamento e as condições do programa. Josilmar Macário sugeriu que o melhor encaminhamento seria pedir a prisão dos policiais envolvidos no assassinato de seu irmão. Contudo, as advogadas afirmaram que isso não seria possível, mesmo diante de todas as evidências de ameaças e ele e sua família, pois, para elas, devereria ser respeitada o trâmite normal do processo.
Diante das características do programa, que implicam em anulação da vida do protegido (que seria obrigado a deixar tudo para trás) e da não consideração de outra alternativa (como o pedido de prisão cautelar dos policiais), criou-se uma situação problemática. Josilmar recusou, inicialmente, o ingresso imediato no PROVITA, por discordar das imposições imediatas, e assinou o termo de renúnica para o ingresso imediato, postergando a decisão para depois de conversa com seus familiares. Se não fossem militantes da Rede que o aguardavam, Josilmar Macário teria ficado na rua.
Telefones para contato:
9809-9199 (Patrícia)
9977-4916 (Maurício)
2210-2906 (Rede)
Rede de Comunidades e Movimentos contra Violência
Na última sexta-feira, dia 7 de maio, às 09:35hs, o militante da Rede contra Violência, Josilmar Macário dos Santos, sofreu um atentado quando estava dirigindo seu táxi no viaduto São Sebastião (na pista sentido Laranjeiras) , próximo ao Sambódromo, no bairro do Catumbi. De repente, ouviu um barulho e percebeu que o para-brisa de seu carro havia sido atingido por algum objeto, provocando um trincamento na direção de seu rosto. Em seguida, preocupado, parou o automóvel no retorno em cima do túnel Santa Bárbara e lá pode constatar que, pelo estrago observado, parecia ter sido feito por uma bala desferida por alguma arma de fogo.
Importante lembrar que Josilmar é irmão de Josenildo dos Santos, assassinado por policiais militares do 1° Batalhão, em abril de 2009. Desde então, seus familiares, amigos e a Rede contra Violência iniciaram uma luta por justiça. Esta levaria à denúncia de 4 PMs (Vagner Barbosa Santana, Carlos Eduardo Virgínio dos Santos, Jubson Alencar Cruz Souza e Leonardo José de Jesus Gomes) por homicídio. Essa vitória da família de Josenildo e da comunidade parece ter irritado os policiais do 1° BPM e levado-os a tentarem uma represália. No dia 08/02/2010, dois parentes de Josenildo, um primo e uma irmã, Maristela Aparecida dos Santos, e um vizinho amigo da família foram diretamente ameaçados pelos policiais, durante uma incursão que também levou à morte de dois jovens. O atentado ocorreu no dia em que, se fosse vivo, Josenildo faria aniversário.
Um mês depois, no dia 9 de março, após ter sido adiada no final do ano passado porque testemunhas de defesa (dos policiais) não compareceram, realizou-se a primeira audiência do caso, na qual foram ouvidos as testemunhas de acusação. Diante da quantidade de pessoas a serem ouvidas, o juiz determinou que fossem tomado os depoimentos das testemunhas dos réus (os policiais) em outro momento, que ficou marcado para o dia 15 de junho, às 13:30, no II Tribunal do Juri. No dia 2 de maio, domingo, os familiares de Josenildo e amigos realizaram uma manifestação em sua lembrança. Contudo, na sexta-feira e no sábado, policiais militares realizaram incursões, incluvise se utilizando o “caveirão”. Nestas duas operações, PMs arrancaram alguns cartazes afixados na comunidade, principalmente os que constavam a data da próxima audiência. Moradores ouviram comentários feitos pelos policiais, em que estes diziam que deveriam ter levado um facão para retirar os cartazes e também para “cortar a cabeça de quem os estava colocando”.
Após isso tudo, as ameaças se materializaram: um atentado foi cometido contra um dos irmãos de Josenildo. Depois de estacionar o carro, Macário entrou em contato diretamente com o Ministério Público, com a Comissão de Direitos Humanos da Alerj e com a Rede contra Violência. Posteriormente, acompanhado de militantes da Rede e de um integrante da Comissão de Direitos Humanos, foi até a 7a Delegacia Policial, no bairro de Santa Teresa para prestar queixa. Foram rapidamente atendidos, mas o investigador que os receberam se recusava a fazer o registro de ocorrência. A resistência se deu ao fato de que o investigador não queria aceitar a versão de que fora um atentado, mesmo depois de ter sido relatado a situação de ameaças vivenciada pela família de Macário desde o assassinato de seu irmão. Após insistência do advogado da Comissão que o acompanhava, finalmente o investigador cedeu e registrou o caso como estando relacionado às ameaças feitas por policiais do 1° Batalhão. Em seguida, foi encaminhado ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), no Centro, para a realização de perícia. Contrariamente a afirmação inicial do policial que os receberam, ou seja, de que teria sido apenas uma pedra, o períto foi enfático ao afirmar que se tratava de um dísparo de arma de fogo e que parecia ser intencional.
Neste mesmo dia, realizar-se- ia uma reunião com o Ministro da Secretaria Nacional de Direitos Humanos e o novo secretário de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro com organizações e movimentos sociais para discutir o Plano Nacional de Defesa dos Defensores de Direitos Humanos. Realizado o registro de ocorrência e a perícia, decidiu-se levar a situação de Josilmar Macário a este encontro, aproveitando a presença do ministro e do secretário. O ministro sugeriu que fosse dado encaminhamento no sentido de incluir Josilmar no Programa de Defesa dos Defensores e não em outro. Entretanto, a secretária da subsecretaria de Direitos Humanos pretendia colocá-lo imediatamente no Programa de Proteção a Vítima (PROVITA), contrariando o que foi definido na reunião com o Ministro e desconsiderando a colocação de um dos militantes da Rede presentes que, conhecendo o PROVITA desde a sua criação e implementação, afirmou que este possui muitos problemas, principalmente o de escassez de verbas. O que foi informado, inicialmente, ao Josilmar seria que ele ficaria apenas protegido, provisoriamente, neste final de semana, definindo-se somentes posteriormente seu destino.
Após a insistência da subsecretaria em descumprir a orientação do ministro, Josilmar Macário foi encaminhado para o Plantão Judiciário do Tribunal de Justiça. Acompanhado de duas advogadas da secretaria (já que fora impedida a presença de militantes da Rede) foi até à promotora de plantão. Esta não quis recebê-lo e quem conversou com ela foi apenas as advogadas. Após alguns instantes, chegariam os membros do PROVITA convocados pela secretaria. Estes explicariam o funcionamento e as condições do programa. Josilmar Macário sugeriu que o melhor encaminhamento seria pedir a prisão dos policiais envolvidos no assassinato de seu irmão. Contudo, as advogadas afirmaram que isso não seria possível, mesmo diante de todas as evidências de ameaças e ele e sua família, pois, para elas, devereria ser respeitada o trâmite normal do processo.
Diante das características do programa, que implicam em anulação da vida do protegido (que seria obrigado a deixar tudo para trás) e da não consideração de outra alternativa (como o pedido de prisão cautelar dos policiais), criou-se uma situação problemática. Josilmar recusou, inicialmente, o ingresso imediato no PROVITA, por discordar das imposições imediatas, e assinou o termo de renúnica para o ingresso imediato, postergando a decisão para depois de conversa com seus familiares. Se não fossem militantes da Rede que o aguardavam, Josilmar Macário teria ficado na rua.
Telefones para contato:
9809-9199 (Patrícia)
9977-4916 (Maurício)
2210-2906 (Rede)
Rede de Comunidades e Movimentos contra Violência
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